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BLOG: Rodrigo Branco

The Times They Are a-Changin'

10/11/2008 às 14:01:34

No último dia 7 a cantora canadense Joni Mitchell completou 65 anos. Um dos grandes ícones do Folk Rock nos anos 60, Mitchell diversas vezes foi citada como o Bob Dylan de saias, assim como Joan Baez.

O Folk Rock voltou a ser destaque recentemente e até moda aqui por estas terras. Ainda assim muita gente não gosta e não entende o que de Rock pode ter o Folk. Pois bem, o Folk surgiu como música de raiz, popular e poética por natureza. Retratava o cotidiano sofrido de camponeses e suas lamúrias por uma vida melhor. Quase como um Blues dos brancos, nos EUA, evidentemente.

Sendo um dos ingredientes na mistura que gerou o RocknRoll nos anos 50, os estilos sempre estiveram intimamente ligados. Afinal além da clara influência Country, a música de Johnny Cash já podia ser considerada uma espécie de Folk Rock. Mas o termo nasce mesmo com o sucesso de Bob Dylan no inicio dos anos 60 e, ouso dizer, foi o responsável por trazer a veia crítica que faltava ao RocknRoll. Não se pode negar que antes de Dylan o Rock era muito mais inocente, assim como os Beatles ganharam mais substância ao tomar consciência do pensamento do trovador americano. Assim o RocknRoll deixou de ser uma ameaça rebelde, que já havia sido domada, para ser uma ameaça real, uma vez que passou a contestar valores sociais e políticos muito mais profundos.

Os anos 60 foram o fator de mudança do mundo atual, a revolução cultural que culminou em 68 e que muitos acreditam estar gerando reflexos até hoje, acaba de dar mais uma prova do poder dos acontecimentos que marcaram aquela geração. Sem dúvida a clamor popular que tomou as ruas e gerou revoluções por todo o mundo teve sua voz maior em escritores e músicos. E dentre estes, estavam na vanguarda dos acontecimentos os cronistas do Folk Rock, Dylan, Baez, Mitchell, McGuinn, Crosby, Stills, Nash, Young, Phil Ochs, Ramblin Jack Elliott, eternamente inspirados em Leadbelly, Oddeta, Woody Guthrie, Peter Seeger e outros mestres.

As mudanças conquistas naqueles anos influíram na construção de um mundo mais justo, principalmente na área dos direitos civis, liberdades individuais e igualdade racial. Muitas das conquistas que vieram depois começaram ali ou foram implementadas por quem viveu aquela época ou se influenciou por ela. Nem todos podem se dar conta, mas ninguém poderia imaginar que pouco mais de 40 anos depois do assassinato de Martin Luther King e do fim dos Panteras Negras, a maior nação do mundo, e uma das mais preconceituosas, elegeria um negro ao cargo de presidente.

Hoje em dia pode parecer banal, mas sem a revolução dos anos 60 o mundo jamais poderia sonhar com a esperança que representa Barack Obama no poder. Enfim toda a luta deu resultado. Não foi a toa que os dois maiores expoentes do Folk Rock comemoram a vitória do democrata como uma conquista pessoal.

Joan Baez, hoje com 67 anos, se apresentava em Washington ao saber da esmagadora vitoria de Obama e no mesmo momento executou emocionada seu hino We Shall Overcome, tantas vezes utilizado em protestos pelos direitos civis. Após o show Baez se dirigiu aos portões da Casa Branca para festejar com o povo.

Já Dylan, também aos 67, que há muito não costuma falar durante seus shows, estava se apresentando em Minneapolis quando recebeu a notícia e deu a seguinte declaração: "Nasci em 1941, o ano em que bombardearam Pearl Harbor. Desde então vivo no escuro. Mas agora parece que as coisas estejam realmente para mudar". Em seguida executou um de seus maiores hinos The Times They Are a-Changin (os tempos estão mudando - em tradução livre). A platéia em êxtase respondeu aos gritos de Obama-Obama, ao que Dylan correspondeu dançando no palco ao som de Like A Rolling Stone e Blowin In The Wind, uma das maiores músicas de protesto da história.

Enfim, A Vitória! Poucos tem mais direito e motivos para se orgulhar e comemorar muito! Como dizia a mítica frase no violão de Woody Guthrie: This Machine Kills Facists (ESTA MÁQUINA MATA FASCISTAS)

Viva a esperança! Viva a Revolução!

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No panteão dos Deuses do Rock

29/10/2008 às 13:33:54

Quando se fala em grandes guitarristas o senso comum lembra na hora de Jimmy Page, Ritchie Blackmore, Joe Satriani, por obrigação Jimi Hendrix, e quando muito Eric Clapton.

Quantos lembrariam de Duane Allman? Numa pesquisa feita pela revista Rolling Stone, ele foi apontado como o segundo maior na história, apenas atrás de Hendrix. Exagero? Talvez, mesmo porque estas pesquisas costumam ter resultados infames, porém mostra que apesar de pouco lembrado por aqui, Duane é sim um dos maiores gênios das seis cordas em todos os tempos.

Falecido aos 24 anos, exatamente 37 anos atrás, em um acidente de moto, o jovem branquelo e magricelo fez história no final dos anos 60, início dos 70.

Nascido no berço da Country Music, a lendária Nashville, mudou-se com a família para a ensolarada California na pré-adoslecência. Decidiu tocar guitarra ao ver o irmão mais novo, Gregg, aprendendo a tocar clássicos de sua terra natal. Mas sua paixão é despertada mesmo quando assiste, em 59, a uma apresentação de ninguém menos que BB King.

A partir deste momento Duane passa a se dedicar com afinco ao estudo do instrumento, reproduzindo exaustivamente as músicas do mestre do Blues. Logo o jovem guitarrista, ainda cursando a escola, aos 15 anos, estava tocando em bandas locais. Seu primeiro grupo, The Escorts, virou Allman Joys, ao lado do irmão Gregg, nos teclados e voz, em 66. O grupo cai na estrada e volta à Nashville, fazendo o circuito sulista, ficando baseado em St. Louis.

Uma ano depois, já de volta a Los Angeles surge o The Hour Glass. Em plena efervescência do Rock californiano abrem shows de bandas como The Doors e Buffalo Springfield, lançando dois discos, em 67 e 68. Estava pavimentada a história de sucesso dos irmãos Allman.

Após acumular bagagem suficiente, idas e vindas pelos estados sulistas dos EUA, em 69 surge o histórico Allman Brothers Band, em Jacksonville, Flórida, banda que se tornaria o maior nome do chamado Southern Rock, misturando altas doses de Blues, Hard Rock e influências da música caipira, estilo que tem ainda como grande referência o Lynyrd Skynyrd, 38 Special, Blackfoot...

O sucesso do ABB foi avassalador e Duane alçado a gênio da guitarra, com destaque para as inspiradas apresentações ao vivo onde ele mostrava toda sua inspiração em longos solos de slide guitar, improvisando um bottleneck delizando vidros de remédios vazios nas cordas do instumento.

Foi graças a toda esta inspiração que Duane acabou conhecendo Deus, isto é, Eric Clapton. Ambos trabalhavam com o mesmo produtor, que tratou de apresentá-los. Clapton já era um lenda em seu próprio tempo, após os Yardbirds, Cream e Blind Faith, mas admirava a capacidade de Duane. Este por sua vez ficou paralizado ao ver o ídolo bem a sua frente durante um show, a ponto de interromper um de seus famosos solos.

Deste encontro surgiu uma grande amizade e Clapton levou Duane a gravar com seu novo grupo Derek and The Dominos, em 70. Porém a parceria rendeu apenas o clássico álbum Layla and The Other Assorted Love Songs. É de Duane o famoso riff de introdução da canção principal, já que Clapton estava pouco inspirado no dia.

O falecimento trágico de Duane deixou Clapton em depressão, agravando ainda mais sua dependência química, que só seria curada anos depois.

Com o Allman Brothers foram apenas dois discos de estúdio e mais dois grandes registros ao vivo. Mas Duane ainda se destacou com um importante músico de estúdio, tendo gravado com lendas como Wilson Pickett, Otis Rush, Aretha Franklin, King Curtis, Clarence Carter e vários outros nomes do Soul, Blues e Country Music.

Duane era uma pessoa alegre, otimista, sempre disposta a ajudar os amigos, por quem era chamado carinhosamente de Skydog.

Salve Duane Allman! 20/11/46 - 29/10/71

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I Fought The Law

22/10/2008 às 14:04:06

Na primeira metade dos anos 60 o RocknRoll estava em decadência nos EUA. Após o explosão do estilo na década anterior a reação da sociedade conservadora foi forte e os ícones do Rock foram colocados de lado, como já explicado neste blog.

A salvação veio do outro lado do Atlântico. A chamada Invasão Britânica foi o resultado da segunda geração do RocknRoll. Gestada justamente quando os pais da criança perdiam espaço em sua terra natal, na Europa, principalmente na Inglaterra, o Rock era a grande novidade revolucionária, assim como havia sido nos EUA alguns anos antes.

Em 1964 com o sucesso avassalador de Beatles, Rolling Stones, The Kinks, The Animals e companhia, praticamente nenhuma banda americana conseguiu alcançar as paradas de sucesso. Exceto por uma, The Bobby Fuler Four! Representante do autêntico RocknRoll americano, o quarteto era capitaneado pelo texano Bobby Fuller, fã inspirado no conterrâneo e pioneiro Buddy Holly and The Crickets.

A carreira de Bobby Fuller foi curta, trágica, aliás. Começou em 62 tocando em seu estado natal até ser descoberto pelo mesmo empresário que lançou Ritchie Valens. O tal empresário levou Bobby para Los Angeles, mas estratégias erradas de marketing não permitiram que o grupo tivesse o sucesso esperado, que só viria com o lançamento do single I Fought The Law, em 64, música que depois daria nome ao segundo e último álbum do grupo de 1966.

Nesta época o mercado fonográfico americano era pouco acostumado a discos completos, as músicas eram consumidas apenas como singles, pequenos discos com apenas uma música de cada lado. Esta situação fez com que os dois álbuns lançados pelo grupo não vendessem bem. Desta forma Bobby Fuller seria vítima de seu próprio sucesso.

No dia 18 de julho de 1966, então com 23 anos, Bobby foi encontrado morto dentro de seu carro, em casa. A causa da morte; aparente suicídio por ingestão de gasolina. Porém muitos desconfiaram da versão oficial, afinal Bobby foi encontrado com diversos ferimentos por todo o corpo e coberto de gasolina, como se alguém tivesse fugido antes de terminar o serviço. A principal suspeita recaiu sobre o empresário, que teria mandado matar Bobby devido as baixas vendagens de seus discos. Isto porque Bobby valeria mais morto do que vivo, afinal seu seguro de vida era altíssimo e o beneficiário era justamente o empresário... A polícia que diz não ter encontrado qualquer prova de um assassinato, também é suspeita de envolvimento e teria encoberto o crime, praticado pela máfia local.

Fato macabro é que o clássico I Fought The Law, de 59, de autoria de Sonny Curtis (substituto de Holly ao lado dos Crickets) e regravado por meio mundo no RocknRoll, diz exatamente em seu refrão; I fought the Law, and the Law won, ou seja, Eu briguei com a Lei e a Lei venceu...

Se estivesse vivo, Bobby Fuller estaria completando hoje exatamente 66 anos.

Salve Bobby Fuller! 21/10/42 - 18/07/66

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Uma lenda em seu próprio tempo

21/10/2008 às 13:28:23

Um dos maiores nomes do Rock inglês nos anos 60 nasceu e cresceu em Johanesburgo, Africa do Sul, onde participou da primeira banda de RocknRoll daquele país, The Vikings, entre 59 e 61. Seu nome, Manfred Sepse Lubowitz. Mais conhecido como Manfred Mann.

Devido aos conflitos raciais gerados pelo regime Apartheid em sua terra natal, ainda em 61 o jovem Manfred muda-se para a Inglaterra, aos 21anos. Após conhecer músicos locais, apenas dois anos depois já alcançava sucesso local com o grupo Mann Hugg Blues Brothers, ao lado do baterista Mike Hugg, atraindo a atenção de uma gravadora, que tratou de sugerir que o grupo passasse a se apresentar apenas como Manfred Mann.

Já no ano seguinte o sucesso viria de vez com o grande hit Do Wah Diddy Diddy, gravada originalmente pelo grupo Pop americano, The Exciters. Esta primeira fase de sua carreira durou até 69. De lá para cá o tecladista e vocalista já teve seu nome a frente de muitos grupos, como Manfred Man Chapter Tree, Manfred Manns Earth Band, Manfred Manns Plain Music...

Enfim, um dos músicos mais influentes de seu tempo, seja tocando R&B, Jazz, Blues ou RocknRoll, Manfred Mann chega hoje aos 68 anos na ativa, tendo seu nome como uma legenda, sendo referência em trabalhos de gente como Eric Clapton, Jimi Hendrix e tantos outros que vieram depois.

Viva Manfred Mann! 21/10/2008

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Ás da guitarra!

17/10/2008 às 15:08:46

Criss Oliva é um nome pouco conhecido no meio Rock no Brasil, exceto por aqueles mais ligados ao Heavy Metal. Mas não deveria ser assim, afinal Criss foi um prodígio da guitarra, nos anos 80/90, citado ao lado de figuras como Randy Rhoads, Eddie Van Valen, Joe Satriani, Steve Vai, Zakk Wylde e outras lendas modernas das seis cordas.

O jovem Criss era autodidata, começou a tocar muito cedo, ainda criança, seguindo os passos do irmão mais velho, Jon, tecladista e vocalista. Na adolescência Criss passava horas fechado em seu quarto praticando guitarra e esta dedicação lhe renderia grandes façanhas. Aos 17 anos, em 79, ele impressiou a todos com sua técnica apurada ao vencer um concurso reproduzindo a intrincada Eruption, lançada pelo Van Halen apenas um ano antes.

No mesmo ano Criss formaria ao lado de Jon a banda Avatar, semente do que viria a ser logo depois uma das mais importantes bandas de Metal das décadas seguintes, o Savatage! Pioneiros do chamado Metal Progressivo, em 83 lançaram seu primeiro disco, o clássico Sirens. Daí em diante seguiu-se uma trajetória de grande sucesso, com álbuns históricos como Hall Of The Montain King, de 1987 e Gutter Bullet, lançado dois anos depois. Sucesso ainda maior ocorreu em 93, com o lançamento do sétimo trabalho do grupo, Edge Of Thorns, com a música de mesmo nome tocando em rádios de todo o mundo e a banda fazendo uma extensa turnê mundial.

Tudo corria bem, o Savatage se consagrava como um dos maiores nomes do Rock mundial e Criss como um dos maiores guitarristas de seu tempo, tendo sido assediado até por Dave Mustaine para que fosse para o Megadeth. Porém, cinco meses após o lançamento do disco e a segunda turnê mundial da banda, no dia 17 de outubro de 1993, há exatos 15 anos, um acidente mudou a história dos irmãos Oliva. Aos 30 anos de idade Criss Oliva falece precocemente ao ser atingido, de moto, por um motorista alcoolizado.

Após o acidente Jon seguiu com a banda, afinal era o que Criss gostaria que fosse feito, mas o Savatage apesar de ter lançado bons trabalhos, nunca mais seria o mesmo. A banda acabou em 2002.

Salve Criss Oliva! 1963 - 1993

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Revolution

09/10/2008 às 12:32:01

O dia nove de outubro tinha um significado especial na vida de John Winston Lennon, foi o dia em que nasceu em 1940, o dia em que conheceu sua grande companheira,Yoko Ono, em 1966, e o dia em que nasceu o primeiro filho do casal, Sean Ono Lennon, em 1975.

John Lennon você sabe bem quem é, afinal ele e sua banda eram mais famosos que Jesus Cristo, hehehe... Graças a esta frase, aliás, Lennon foi execrado publicamente. Mas tinha razão, os Beatles eram tão famosos na época que até em países não-cristãos (e eles são muitos, ao contrário do que se pensa no Ocidente), certamente as pessoas sabiam quem eram os quatros rapazes ingleses.

Esta não foi a única vez que John provocou a fúria católica conservadora, bom rocker que era, claro. Contestador nato, revolucionário por natureza, como o próprio RocknRoll, John incomodava profundamente a sociedade puritana e os poderes estabelecidos. Era persona-non-grata nos EUA, a ponto de ser investigado pela CIA e FBI e ter seu visto cancelado. Os senhores do establishment yankee consideravam uma ameaça potencialmente perigosa as idéias libertárias do comunista Lennon (deviam lembrar de Lenin...rs), que falavam sobre igualdade racial, direitos humanos, mundo sem fronteiras, sem guerras, sem religião...

Após uma longa batalha judicial John conseguiu seu visto de permanência nos EUA, onde foi morar. Antes não tivesse conseguido. Há quem garanta que ele foi silenciado, em uma época em que o perigo vermelho estava a poucos quilômetros, na ilha de Fidel, o Tio San não queria por perto alguém com tamanha força verbal, capaz de levantar novamente toda uma geração. Teriam usado um bode expiatório, cujo cérebro fora devidamente lavado em algum obscuro laboratório subterrâneo, para calar uma das vozes mais importantes do século XX.

No Brasil tudo vira música romântica. Das muitas grandes letras de John, uma das mais conhecidas e diretas, Imagine, costuma ser usada como uma mera música bonita. Longe de ser apenas isto, a letra deste clássico, de 71, trás resumida de forma simples a síntese do pensamento anárquico de John Lennon, um mundo onde não se tenha que temer um deus todo poderoso, onde não se precise merecer o paraíso ou ir para o inferno. Um mundo sem países, sem fronteiras, onde todos sejam livres, sem posses, vivendo em paz...

Na letra John ainda diz; você pode pensar que eu sou um sonhador, mas não sou o único! Reza a lenda que John teria se encontrado com Raul em Nova York e juntos eles falaram deste sonho em comum por um mundo melhor. Certamente eles não eram os únicos! Como diz ainda a canção, espero que um dia você se junte a nós e o mundo então será como um só!

Salve John Lennon! 1940 - 1980

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Os Piratas do Rock'n'Roll

07/10/2008 às 13:37:17

Sete de outubro marca a despedida precoce de outro pioneiro do RocknRoll, Frederick Albert Heath.

Quem?

Frederick Health foi um dos pioneiros do Rock na Inglaterra (pré-Beatles!), mais conhecido como Johnny Kidd. Começou sua carreira de cantor ainda em 56 (nasceu em 35), e três anos depois formou um dos primeiros grupos de RocknRoll fora dos EUA, Johnny Kidd and The Pirates, influência confessa de todas as gerações de rockers ingleses. Dentre muitos sucessos a banda foi responsável pelo clássico Shakin All Over, de 1960, regravada em 65 pelo Guess Who e presença constante nos shows do The Who, a banda que mais sofreu influência de Johnny e seus piratas. O clássico, um dos maiores do RocknRoll, também foi regravado por Van Morrison, Iggy Pop, Suzi Quatro e registrado em estúdio no bootleg Tribute to Johnny and the Pirates, de 73, onde o Led Zeppelin executa diversos clássicos do Rock.

Johnny Kidd foi mais um pioneiro morto em acidente de carro, em 1966, aos 31 anos. Já os piratas voltaram ao barco em 76 e continuam navegando os mares do RocknRoll até hoje.

Salve Johnny Kidd! 1935-1966!

 

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Salve Janis!

04/10/2008 às 20:14:57

Hoje faz 38 anos que Janis Lyn Joplin se foi. Mas nem parece, Janis esteve sempre tão viva em nossos corações e mentes que ela será eterna!

A pequena garota branca do Texas, nascida em 43, apesar de viver em um estado onde o racismo ainda era muito presente, se apaixonou pelo Blues, música típica dos negros. Sua admiração por cantoras lendárias como Bessie Smith, Odetta, Big Mama Thornton e Aretha Franklin, fez com que descobrisse o incrível talento para a música e a voz poderosíssima que possuia.

Janis começou a cantar ainda na escola, porém o ambiente não era propício para o tipo de música que gostava e ela passou a ser hostilizada pelos demais alunos. Já na faculdade esta incompatibilidade entre o modo de ser de Janis e os típicos texanos ficou ainda mais evidente e ela abandonou o curso. Uma nota de sua ficha na faculdade, de 1962, continha a seguinte frase: Ela se atreve a ser diferente.

Estava dado o empurrão para que Janis partisse para a ensolara e liberal California, onde encontraia pessoas afinadas com seu modo de pensar. Janis chegou a San Francisco em 63, lugar que se tornaria o centro efervescente de uma revolução cultural, onde floresceria a cultura Hippie, a qual teria em Janis um de seus maiores expoentes. Morando em Haight-Ashbury, a mítica cidade-hippie, um canto da bela Frisco para onde convergiam poetas, escritores e músicos de todo o país, Janis travou contato com futuros membros de bandas clássicas como Jefferson Airplane, Grateful Dead e outros, com quem gravou diversos registros.

Daí para a entrada em sua primeira banda de fato, Big Brother amd the Holding Company, em 66, foi um passo. Os membros do psicodélico grupo gostaram do estilo de Janis e no ano seguinte lançariam seu primeiro álbum com ela.

E assim se passou uma carreira meteórica, Janis se tornaria uma das maiores estrelas da história do RocknRoll e uma das melhores cantores de Blues. Sua energéticas apresentações ao vivo se tornaram antológicas, com destaque para a participação nos dois mais importantes festivais de todos os tempos, Monterrey Pop, em 67 e Woodstock, em 69.

Janis faleceu de forma trágica em 70, aos 27 anos, devido a uma overdose de drogas. Ainda hoje muitos criticam a forma desregrada como Janis vivia, abusando de álcool e drogas, como a maioria dos rockstars. Mas esta foi uma escolha pessoal dela, Janis viveu intensamente e da maneira que quis. Longe de mim fazer apologia ao uso de entorpecentes, mesmo porque não uso, mas será que sem os aditivos eles teriam ido tão longe na criatividade e desempenho de palco? Se Janis estivesse viva, teria se tornado o mito que é, assim como Hendrix, Morrisson e tantos outros? Isto fez parte do RocknRoll, era componente do caldo cultural sem igual que nos brindou com a melhor época do Rock em todos os tempos, e temos que respeitar.

Salve Janis Joplin! 19/01/43 - 04/10/1970

Para os que dizem que Janis era um mulher feia...

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Summertime Blues

03/10/2008 às 13:59:58

 

Há exatos 70 anos nascia outra lenda do RocknRoll, um mito do Rock-a-Billy que hoje inspira topetudos ao redor do mundo, seja em sua terra natal, EUA, seja no Brasil, onde o estilo tem ganhado força, seja no Japão, onde é uma verdadeira febre.

Edward Ray Cochrane tinha tudo para ser um dos maiores nomes do RocknRoll em todos os tempos, só comparado a Elvis, Jerry Lee e mais alguns poucos, em magnitude. Mas quiz o destino trágico que ele morresse aos 21 anos, de forma banal, em um acidente com o táxi em que trafegava em Londres, ao lado de outra lenda Rockabilly, Gene Vincent (aquele do Be-Bop-A-Lula, falecido em 71). Este sobreviveu ao acidente, mas teve sua carreira abalada, claro.

Eddie Cochran começou sua curta carreira em 1956 como cantor em filmes jovens, pois após o sucesso de James Dean e Marlon Brandon a combinação filmes e RocknRoll era a fórmula para o estrelato. A repercussão de suas atuações no cinema alavancou a carreira de Cochran como músico, cantor, compositor e guitarrista. Sucessos como Cmon Everbody, My Way, Jeane, Jeane, Jeane, Something Else e Nervous Breakdown moldaram o estilo classudo de Eddie, vocais enérgicos, riffs ardidos em sua tradicional guitarra Gretch, baixão galopante e bateria acelerada. Mas foi em 58 que ele lançaria aquela que se tornaria uma das músicas mais emblemáticas, tocadas e regravadas do RocknRoll, Summertime Blues. Sua batida inconfundível serviu de inspiração para toda a próxima geração do RocknRoll, recebendo até hoje dezenas de regravações. Entre as mais conhecidas e clássicas temos Beach Boys, Blue Cheer, Bobby Fuller Four, The Who, Brian Setzer, Joan Jett, Motörhead, Rush e outras.

Se o RocknRoll era considerado obra do diabo, ao menos a fama lhe caiu bem, pois no final dos 50, início dos 60, a coisa ficou feia e não a toa os críticos decretaram, pela primeira vez, a morte do estilo. Cerca de um ano antes do acidente com Eddie outros três ícones do RocknRoll haviam morrido de forma trágica em outro acidente banal, como relatei no texto abaixo. Cinco anos antes James Dean, que não era músico mas serviu de inspiração para todos eles, também havia morrido em um acidente de carro. E os que não morreram estavam fora de cena graças a ação da sociedade puritana da época, com apoio do governo americano. Chuck Berry fora encarcerado por cinco anos sob acusação de corrupção de menores, Jerry Lee Lewis execrado publicamente pelo mesmo motivo, Little Richard perseguido por ser homosexual havia resolvido largar a música e Elvis, bem, o Rei do Rock fora poupado da caça às bruxas pois era muito querido em todo o país e desta forma saiu de cena servindo ao exército dos EUA na Alemanha. Com os maiores nomes do RocknRoll devidamente calados o estilo parecida de fato condenado à morte. A salvação viria do outro lado do Atlântico...

Salve Eddie Cochran - 03/10 - 1938-1960

 

Eddie and Gene ou Gene and Eddie?

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Bye, Bye, Miss American Pie...

02/10/2008 às 13:44:35

Hoje quem faz 63 anos é o cantor, compositor e músico (violão, piano), Don Mclean.

Mclean é pouco conhecido por aqui, quase nada, aliás. Se não fosse por uma regravação feita pela Madonna, seria menos ainda. Pois é, a música que a rainha do Pop transformou em mais um sucesso dancante, American Pie, é um hino Folk norteamericano.

American Pie é um mistério, jamais alguém poderia imaginar o sucesso que faria, nem mesmo Don Mclean. Até então Don era um cantor Folk de pouca expressão, inspirado no amigo Peter Seger, assim como Bob Dylan e vários outros. Havia lançado seu primeiro álbum sem muito alarde em 70 e no ano seguinte mostrou ao mundo aquele que seria um dos símbolos dos anos 70, o álbum American Pie. O disco trouxe dois sucessos arrebatadores, Vincent, homenagem à Van Gogh e a faixa título.

A música American Pie também é uma homenagem, mais especíicamente à Buddy Holly, a quem Mclean dedicou o disco. Uma espécie de épico Folk, com mais de oito minutos de duração e mudanças de andamento, ela começa relatando a memória do acidente que em 1959 vitimou três pioneiros do RocknRoll, Buddy, Richie Vallens (La Bamba) e o DJ e músico J.P. Richardson The Big Bopper. O incidente ficou conhecido como o dia em que a música morreu, The Day The Music Died, expressão repetida várias vezes na longa letra.

São muitas as referências na música, algumas bem claras, outras nem tanto. Don nunca explicou exatamente o que quiz dizer com esta letra, sempre disse que ela pode ser interpretada de várias maneiras e que trata de uma história abstrata a partir de suas próprias memórias, desde o caso em 1959 até aquele momento dez anos depois.

Fato é que a extensa letra em alguns momentos é pouco óbvia, mas traça um panorama do RocknRoll na época e consequentemente da própria história americana, motivo pela qual é considerada uma das músicas mais importantes do século XX, nos EUA, e tema de discussões e análises em diversos sites e publicações até hoje.

As referências mais diretas, além dos já citados, são à James Dean, Elvis Presley (The King), Beatles (Helter Skelter), Bob Dylan, Muddy Waters/Rolling Stones, The Birds e seu clássico psicodélico Eight High Miles, Janis Joplin, a quem Mclean se refere como (conheci) a garota que cantava Blues, Lenin, Marx, além da guerra do Vietnan, a morte de Kennedy e outros fatos.

Enfim, uma verdadeira poesia musicada, exemplo da capacidade de um grande compositor que merece ser melhor conhecido e mais escutado. Mclean continua ativo e na estrada, nunca parou de lançar material inédito, mesmo não mais repetindo o sucesso estrondoso de American Pie que chegou ao topo das paradas em todo o mundo em 71 e continua inspirando milhares atualmente.

Quanto ao nome da canção, ainda é um mistério. Don nunca revelou o que é exatamente, apenas negou o boato de que seria o nome do avião onde estavam os pioneiros falecidos. Há uma interpretação que diz ser uma referência a uma ex-namorada, candidata à Miss America, com quem Mclean teria terminado o namoro na mesma data do acidente, três de fevereiro de 1959.

Parabéns Don Mclean! 63 anos de belas canções!

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