The Times They Are a-Changin'
10/11/2008 às 14:01:34
No último dia 7 a cantora canadense Joni Mitchell completou 65 anos. Um dos grandes ícones do Folk Rock nos anos 60, Mitchell diversas vezes foi citada como o Bob Dylan de saias, assim como Joan Baez.
O Folk Rock voltou a ser destaque recentemente e até moda aqui por estas terras. Ainda assim muita gente não gosta e não entende o que de Rock pode ter o Folk. Pois bem, o Folk surgiu como música de raiz, popular e poética por natureza. Retratava o cotidiano sofrido de camponeses e suas lamúrias por uma vida melhor. Quase como um Blues dos brancos, nos EUA, evidentemente.
Sendo um dos ingredientes na mistura que gerou o RocknRoll nos anos 50, os estilos sempre estiveram intimamente ligados. Afinal além da clara influência Country, a música de Johnny Cash já podia ser considerada uma espécie de Folk Rock. Mas o termo nasce mesmo com o sucesso de Bob Dylan no inicio dos anos 60 e, ouso dizer, foi o responsável por trazer a veia crítica que faltava ao RocknRoll. Não se pode negar que antes de Dylan o Rock era muito mais inocente, assim como os Beatles ganharam mais substância ao tomar consciência do pensamento do trovador americano. Assim o RocknRoll deixou de ser uma ameaça rebelde, que já havia sido domada, para ser uma ameaça real, uma vez que passou a contestar valores sociais e políticos muito mais profundos.
Os anos 60 foram o fator de mudança do mundo atual, a revolução cultural que culminou em 68 e que muitos acreditam estar gerando reflexos até hoje, acaba de dar mais uma prova do poder dos acontecimentos que marcaram aquela geração. Sem dúvida a clamor popular que tomou as ruas e gerou revoluções por todo o mundo teve sua voz maior em escritores e músicos. E dentre estes, estavam na vanguarda dos acontecimentos os cronistas do Folk Rock, Dylan, Baez, Mitchell, McGuinn, Crosby, Stills, Nash, Young, Phil Ochs, Ramblin Jack Elliott, eternamente inspirados em Leadbelly, Oddeta, Woody Guthrie, Peter Seeger e outros mestres.
As mudanças conquistas naqueles anos influíram na construção de um mundo mais justo, principalmente na área dos direitos civis, liberdades individuais e igualdade racial. Muitas das conquistas que vieram depois começaram ali ou foram implementadas por quem viveu aquela época ou se influenciou por ela. Nem todos podem se dar conta, mas ninguém poderia imaginar que pouco mais de 40 anos depois do assassinato de Martin Luther King e do fim dos Panteras Negras, a maior nação do mundo, e uma das mais preconceituosas, elegeria um negro ao cargo de presidente.
Hoje em dia pode parecer banal, mas sem a revolução dos anos 60 o mundo jamais poderia sonhar com a esperança que representa Barack Obama no poder. Enfim toda a luta deu resultado. Não foi a toa que os dois maiores expoentes do Folk Rock comemoram a vitória do democrata como uma conquista pessoal.
Joan Baez, hoje com 67 anos, se apresentava em Washington ao saber da esmagadora vitoria de Obama e no mesmo momento executou emocionada seu hino We Shall Overcome, tantas vezes utilizado em protestos pelos direitos civis. Após o show Baez se dirigiu aos portões da Casa Branca para festejar com o povo.
Já Dylan, também aos 67, que há muito não costuma falar durante seus shows, estava se apresentando em Minneapolis quando recebeu a notícia e deu a seguinte declaração: "Nasci em 1941, o ano em que bombardearam Pearl Harbor. Desde então vivo no escuro. Mas agora parece que as coisas estejam realmente para mudar". Em seguida executou um de seus maiores hinos The Times They Are a-Changin (os tempos estão mudando - em tradução livre). A platéia em êxtase respondeu aos gritos de Obama-Obama, ao que Dylan correspondeu dançando no palco ao som de Like A Rolling Stone e Blowin In The Wind, uma das maiores músicas de protesto da história.
Enfim, A Vitória! Poucos tem mais direito e motivos para se orgulhar e comemorar muito! Como dizia a mítica frase no violão de Woody Guthrie: This Machine Kills Facists (ESTA MÁQUINA MATA FASCISTAS)
Viva a esperança! Viva a Revolução!




















