2010 - O ano em que faremos contato
30/12/2009 às 02:14:45
É, definitivamente o futuro é agora! Até porque não sabemos quanto tempo o planeta aguenta com tantos excessos cometidos pela humanidade, que continua crescendo vertiginosamente a ponto de saturar todas as reservas naturais de nosso orbe. Como diria um sábio gaúcho, ano 2000 era futuro há pouco tempo atrás, não faz muito tempo acreditava-se que em 2000 o mundo (diga-se, o planeta Terra) chegaria a seu ocaso. Outro sábio, novaiorquino (inspirado em um inglês), desafiava a crença religiosa e preconizava para 2001, uma odisséia no espaço. Jogo empatado, nem odisséia, nem fim do mundo, os místicos apostam novamente, o mundo acaba em 2012! Mas se neste ano não fizermos contato, a odisséia continua sendo uma meta a ser batida até que o fim chegue enfim. Fato é que paradoxalmente a tecnologia avança mais rápido que somos capazes de absorvê-la. Digo o homem comum, tal como eu e você, não um Michio Kaku, evidentemente. Questões prosaicas ainda suscintam debates acalorados e o ser humano continua capaz das maiores bestialidades e aberrações, que nos chocam ainda mais hoje devido à nossa suposta evolução. No RocknRoll o passado é ao mesmo tempo uma sombra e uma luz, afinal não se pode superar o que foi feito, fato comprovado. Ao mesmo tempo o que foi feito inspira o que de melhor temos hoje. Outro sábio, baiano, disse; eu vi o futuro, baby, ele é passado. Algum tempo atrás, não muito, li uma entrevista com um grande ícone do RocknRoll nos anos 60, que por estas paragens, graças ao comodismo midiático e a obtusidadde reinante, ficou esquecido; Roger McGuinn. Cantor, compositor e guitarrista do grupo The Byrds, McGuinn foi um pensador em sua época, quando pensar era obrigatório, algo que hoje parece irrelevante. A geração de Mcguinn ajudou a mudar o mundo e estabeleu uma sociedade mais justa, mais voltada ao indivíduo e a coletividade, a despeito dos interesses institucionais. Este pensamento perseverou na década de 70 e continou refletindo nos anos 80, ajudou a derrubar ditaduras, comemorou o fim da Guerra Fria, a queda do Muro.
Na década de 90, com o avanço ainda mais rápido da tecnologia, principalmente a difusão da internet, novos dilemas surgiram. De repente as conquistas de outrora perderam o sentido, e aqueles que antes defendiam a liberdade de expressão despontaram como algozes de uma nova inquisição, outro paradoxo moderno. Quando Lars Ulrich, o grande baterista do Metallica, resolveu sair em defesa da indústria fonográfica, contra o Napster e seus próprios fãs, muita gente ficou chocada. Mais ainda quando decidiu levar a contenda aos tribunais, exigindo responsabilidade de cada um que tivesse baixado músicas de sua banda na internet. A esta altura, final da década de 90, início de 2000, o Metallica já tinha mais de 15 anos de estrada, era um dos maiores fenômenos do Rock em todos os tempos, tendo vendido milhões de discos e feito turnês milionárias pelos quatro cantos do planeta. Desnecessário dizer que seus integrantes já eram sujeitos ricos, portanto não havia o menor sentido em tamanha avareza.

Muitas vezes me perguntaram qual a diferença entre a geração dos anos 60/70 e o Rock na atualidade. E a resposta fica clara quando comparamos a diferença de pensamento entre estes músicos. Roger McGuinn diz ter procurado Lars Ulrich para lhe alertar sobre o erro de tentar censurar uma nova mídia como a internet. McGuinn na época já beirava os 60 anos e, talvez justamente por esta razão, teve uma visão muito mais ampla desta questão tão polêmica. Roger disse a Lars que a internet, os downloads, eram uma espécie de rádio das novas gerações, tal como foi a MTV, uma nova mídia a ser explorada e que o interesse por suas músicas representava maior divulgação de seu trabalho, não o contrário. O velho ídolo declarou ainda sua descrença com as gravadoras, uma vez que a maior parte dos artistas não ganha nada com elas, e viu na internet a possibilide de ser livre, finalmente.
Ainda na metade da década passada Mcguinn em atitude pioneira lançou um site onde disponibilizava músicas (Folk) gratuitamente, idéia que mantém ainda hoje (www.ibiblio.org/jimmy/folkden-wp). Ulrich por suas vez não lhe deu ouvidos e teve sua imagem arranhada, passando a ser visto como uma espécie de mercenário, pelas novas gerações, fato que o levou enfim a relativizar sua posição.
Moral da história, o mundo não acabou, nem vai acabar daqui dois anos, o Rock agonizou mas não morreu, nem morrerá. O tempo passou, tudo mudou, mas no fundo continua a mesma coisa, o novo chega e não pode ser contido, deve ser assimilado, absorvido, o que é bom perdura, o que não é, não dura. Assim como um dia, há mais de 50 anos, a televisão iria acabar com o rádio, há 10 a internet cumpriria a mesma sina. No entanto estamos aqui hoje, em pleno ano de 2010 no site da KISS FM, uma rádio que se dedica exclusivamente ao RocknRoll, estilo musical que já teve sua morte anunciada tantas vezes. E o Metallica continua vendendo milhões de discos, quase 30 anos depois de ter surgido fazendo um som tão barulhento, quando qualquer um preveria que eles jamais sairiam do underground, dos obscuros e sujos bares de São Francisco. Ou seja, Roger Mcguinn estava coberto de razão, afinal o Metallica não apenas continuou a vender discos, mas a fazer suas gigantescas turnês, como a que está chegando agora ao Brasil. 2010 já começa com estes mega shows (30 e 31 de janeiro em São Paulo), demonstrando que o RocknRoll não poderia estar mais em alta. Sem dúvida está na hora de fazermos contato, nem que seja pelo Twitter, é hora de revermos conceitos e cuidarmos para que o futuro seja tão brilhante como o passado, utilizando a tecnologia a nosso favor, buscando inspiração e sapiência em mestres como Roger Mcguinn, com consciência para que tenhamos uma sociedade justa, em um planeta habitável. E como dizia um sábio canadense, keep on rockin in the free world! Feliz 2010!!! http://www.ibiblio.org/jimmy/folkden-wp/


08/08/2010 às 10:00:20



