Deus salve a Rainha!
24/11/2008 às 13:27:16
Me lembro como se fosse ontem, estava indo para a escola, de manhã, quando ouvi pelo walkman o locutor da rádio anunciar a morte de Freddie Mercury. Isto foi em 24 de novembro de 1991 e eu era um adolescente que ainda descobria os grandes nomes do RocknRoll, mas já sabia muito bem o que era bom. Aquele foi um dia triste...
Um dia antes, no dia 23, Freddie havia anunciado ao mundo oficialmente que era portador do vírus HIV, fato que já era de conhecimento dos fãs pois a doença havia sido diagnosticada em 1987 e desde então o vocalista havia gradativamente se afastado dos holofotes, passando cada vez mais tempo isolado em sua mansão, em Londres, ao lado dos pais. Naquele tempo o tratamento da AIDS era pouco eficaz e as complicações em decorrência da doença foram apagando o brilho do radiante Freddie. O último disco lançado pelo Queen antes do falecimento do vocalista, Innuendo, de 89, já mostrava um ar melancólico, pois Freddie se sentia cada vez mais solitário. A última faixa do disco, The Show Must Go On, depois reeditada no álbum póstumo Made in Heaven, de 95, era como uma despedida de Mercury, onde ele fez questão de deixar claro que o show deveria continuar...
Uma das figuras mais carismáticas do Rock, dono de uma voz poderosa e versátil, artista performático sobre o palco, Freddie Mercury foi sem dúvida um dos maiores e melhores vocalista que já se viu. Em minha opinião o melhor, completo, um verdadeiro showman. Freddie nasceu Farokh Boomi Bulsara, em Zanzibar, ilha africana na costa da Tanzânia. Seus pais, Bomi e Jer Bulsara eram de origem persa, praticantes do zoroastrismo, da região de Bombay, na Índia. Na época tanto Zanzibar, quanto Bombay (atual Mombain) eram colônias britânicas. Seu pai Bomi, era funcionário do Estado e assim foram viver em Zanzibar por conta do governo da Inglaterra. O jovem Farokh que tinha uma única irmã, mais nova, chamada Kashmira, foi mandado para estudar na Índia, onde passou a ser chamado de Freddie e montou sua primeira banda de Rock, The Heretics. Aos 17 anos sua família precisou abandonar Zanzibar devido a revolução de independência da ilha e acabou indo viver na Inglaterra. Na nova ilha Freddie terminou os estudos, se formou em design gráfico e artístico, e conheceu os membros de uma banda chamada Smile, Brian May e Roger Taylor. Estava começando ali, em 1969, a história de sucesso do Queen!
Homossexual assumido desde meados dos anos 70, fato que lhe exigiu muita coragem para a época, com sua morte Freddie se tornou um ícone na luta contra o preconceito sexual e a AIDS. Seu corpo foi cremado em uma cerimônia conduzida por um sacerdote zoroastrista, com a presença dos amigos do Queen, Elton John e David Bowie.
Mas como o show deve continuar, esta semana teremos mais uma chance de relembrar a magia de Freddie com os shows do Queen no Brasil. Para o lugar do mítico vocalista a banda convidou outro dos maiores vocalistas de todos os tempos, Paul Rodgers, responsável pelo sucesso do lendário Free (ao lado do também saudoso guitarrista Paul Kossof) e do Bad Company. Diferenças e gostos a parte, fato é que o próprio Freddie ficaria orgulhoso de ter Paul em seu posto, afinal era um fã dele. De acordo com os membros remanescentes do Queen, Freddie se inspirava em Paul Rodgers, tendo no disco Fire and Water, clássico do Free de 1970, um espécie de bíblia musical.
Enfim, de um jeito ou de outro, o importante é lembramos desta genial figura que foi Freddie Mercury. Farokh Bulsara morreu aos 45, vítima da AIDS, em 1991. Freddie Mercury será eterno!
Salve Freddie! 05/09/1946 - 24/11/1991


26/02/2009 às 11:52:55



