Bem vindo ao Circo
03/03/2010 às 11:28:25
Vou confessar uma coisa. Tento de verdade acreditar que esse mundo terá jeito, tento mesmo! Mas, me sinto tão idiota, tão infantil, tão utópico. E olha que sou meio “São Tomé”, só acredito quando vejo com meus próprios olhos. Fiquei imaginando como será nosso país daqui a 10, 20, 30 anos. Quantas pessoas “do bem” terão deixado seu legado para trás sem ao menos colher os frutos dos seus esforços.
Me enviaram um e-mail com um poema atualíssimo! E claro, divido com você.
Gandhi
esta morto...
Lennon, Luther King, Chico Mendes
O
estudante chinês na Praça da Paz Celestial...
Vozes
clamando reforma agrária, sindicalistas e militantes
tantos
Denunciando holdings, corrupção e
desmatamento
Nações indígenas
dizimadas
Incontáveis desaparecidos na calada da noite
Nos
porões da ditadura militar em tempos idos
Na Amazônia
covas de indigentes
Sem vestígios sepultam a Guerrilha do
Araguaia
Geraldo Vandré sem paradeiro esquecido
Em
boatos louco, desterrado, inválido
O Papa sofrendo
atentado
Outrora apóstolos perseguidos,
martirizados
Cristãos nas arenas romanas
Sócrates
bebendo cicuta...
Jesus Cristo, quanta gente!
Valores
invertidos
O mundo de pernas pro alto
Eu pregando sozinho na
praça
Alardeando ao som do bumbo
Armando meu circo
No
picadeiro berrando
Nas arquibancadas
Gatos pingados,
desocupados
Jogando pipocas prum macaco...
As
pessoas têm me decepcionado...
Não se importam com
nada
Usam máscaras e dissimulam
No entanto não
representam personagem algum
Sendo elas mesmas, estão mais
fantasiadas que o pierrô e a colombina
O Arlequim com
bandolim
O palhaço trapezista
Na
bolsa
Carregam uma escopeta...
Nesse
circo do dia a dia
Os animais enjaulados
Somos nós
Famintos,
ferozes
Traiçoeiros
Amestrados
Exóticos,
causamos estranheza
Se nos encaramos no espelho
O que se dirá
aos outros?
A curiosidade atrai
Público ao nosso
circo
Espanto e perplexidade
Olhos esbugalhados
mirando
Boquiabertos
Nossos atos...
A
platéia ri de nós
Comendo algodão
doce
Estourando balão de gás
Atirando pipoca
Nosso
show:
Querer mudar os fatos
Dum mundo
Para eles
abstrato...
Tão abstrato
Quanto
o sangue derramado
De tantos mártires
Homens de paz
Ou
de tantas criaturas
Que nem podemos mais chamar de gente
Dormindo
debaixo de marquises ou pontes
Aos maltrapilhos, imundos
Comendo
restos de lixo
Disputados com ratos
Geram crianças
Que
diria-se a esperança do mundo
O riso, o sonho e a pureza
O
encanto de nossa poesia
À beira de esgotos
Futuros
mendigos graduados
Como pedintes no trânsito
Aliciados
pelo tráfico
São números para os
matemáticos
Do Estado burocrático
O Décimo
Quarto DPO chaciná-los
É mais fácil...
Basta
uma ordem
Vindo da alcova do Poder
Engendrado pelo
Diabo
Ninguém se importará com nada
Eram
problemas para a sociedade
Drogados, usuários de cola de
sapateiro
Vendedores de craque, maconha e cocaína
Trombadinhas,
mal elementos
Mantidos ao custo do vício
Dos estudantes
da Pontifícia Universidade Católica
Sócios do
Golf Club
Que passam férias na Disney
Vestem Giorgio
Armani
Andam de BMW
Moradores dos condomínios
Da
Gávea, Barra
Ipanema, Leblon...
Que almoçam no
Plataforma I
Jantam no Porcão
Filhos burgueses da
Besta:
Os Senhores do Poder
Que deram a ordem de extermínio...
Essas
coisas, caros irmãos mambembes
Não causam
espanto
Perplexidade, estranheza
À platéia que
vêm ao nosso circo
Tão somente o que os atrai
Ao
espetáculo
É ver-nos e rirem de nós
Os Don
Quixotes da nova era
Tentando mudar os fatos
Dum mundo
abstrato
Banalizado
Enquanto a lona incendeia...
E onde o
concreto
É o dinheiro
Que podem ter no bolso
Status e
ego inflamado
Ser melhor que o outro
Mais esperto
De
resto...
Nada...
O circo já pegou fogo!
(Rob Azevedo)



