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BLOG: Alexandre Gomes

Dia da Saudade

02/03/2012 às 13:45:13

 

Acho que todos nós temos aquele dia de lembranças. São lembranças das coisas boas e das coisas ruins. Temos também o dia da saudade. Nossa, essa pega a gente de jeito, não é? Sentimos saudades das pessoas vivas - aquelas que por algum motivo não faz mais parte do nosso dia-a-dia. E sentimos saudades das que não faz parte desse mundo. E nesse meu "dia da lembrança" vasculhei a internet e encontrei um texto bem legal. Fala justamente da saudade de alguém tão querido que já se foi, pra outro mundo. Segue abaixo. 

Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco?

Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente…De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um chiste.

Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos,fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo

jeito. Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo ? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.

Por isso viva tudo que há para viver. Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida…" 

 

Em memória dos meus amigos e meu irmão ... saudade

 

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Rede Social

07/02/2012 às 12:13:46

 

Sempre me questionam se faço parte de alguma rede social - Orkut, Face ou Twitter. Não faço! E na real? Nem quero. Confesso que já tentei nas três mais populares e sempre me decepciono.

Sinto-me estar perdendo tempo e que poderia estar fazendo algo mais produtivo, poderia estar vivendo de “verdade” tudo aquilo que imaginamos online.

Já teve a sensação de ser o único do grupo a não arranjar tempo – ou dinheiro – para ir a todas as festas, lugares em países incríveis, opinião para falar sobre os filmes mais badalados ou os livros mais vendidos? Afinal, a vida é só sorriso nessas redes sociais.

Nunca achei uma foto com alguém carrancudo, chorando ou comentários de que esta sem grana ou levou uma “comida” do chefe. Tudo é perfeito! Perfeito até demais para o meu lado critico de virginiano.

Não somos assim. Aquilo tudo é mentira. Tá bom, ta bom.. uma meia verdade vai. Porque para muitos, aqueles momentos raros de uma festa ou uma viagem levou dias, meses para programar. Claro, colocam somente as melhores fotos, faz parte do pacote. Mas tenho a sensação que é uma regra ser "perfeito" e ai de você se for contra.

Os pessimistas são perseguidos com afinco. No Youtube por exemplo, todos, como um complô, colocam aquele sinal do dedinho pra baixo como se estivessemos no Coliseu na Roma antiga e prestes a sermos decaptado. Poxa, que liberdade de expressão é essa? Sei que temos muito problemas e não estamos nem ai para os problemas alheios. Mas não custa pegar mais "leve".

Certa vez, quando tinha twitter recebi um recado dizendo “ me segue que te sigo”. Hã? Como assim? Me senti um cão atrás do rabo. Tive a impressão de ser um vagão de trem. Pera ai! O “seguir” não deveria ser quando eu achasse que aquela pessoa iria acrescentar algo? Ou então se achasse o assunto que ela aborda interessante? Mas “seguir” para mostrar que sou o popular? Para quem e para que?

Entendo que todos nós temos receio de mostrar publicamente nossas limitações, medos e tentamos expor somente o melhor de nós. Mas a qual preço? Fugindo da realidade?

Um dia li em paginas diferentes do Facebook - pessoas que não eram amigas - os mesmos pensamentos. Era nítido que um copiou do outro e postou como se fosse criação única. Sem contar as frases de efeito, poemas e mil outras coisas que não são delas. Tudo “fake”.

Por essas e outras que não quero fazer parte disso. Prefiro ainda o método antigo. O velho e bom telefone. Juntar meus amigos em casa ou num boteco e  conversas regadas a boas risadas. Tudo isso frente a frente.

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Amigos Leais

20/01/2012 às 08:04:42

Começo de ano é o momento que todos fazem suas avaliações. Onde estamos, onde quero chegar e quando vou alcançar o que desejo. Olhamos para o passado. Para alguns é martírio, mas pra mim é algo especial. Vivi momentos memoráveis.  Sempre pensoi nos amigos que atravessaram esse momento de formação de caráter e inicio de cirrose.

Foram amigos leais sabia?  Caras que ficavam lado a lado em qualquer situação. Um pé na bunda que levávamos das meninas, por exemplo, estávamos todos lá, dando apoio e palavras de incentivo. E ajudando a xingar também.

Sonhos para o futuro eram divididos. O Rogério era o “galãzinho” da turma. Com uma vasta cabeleira e um topete de dar inveja ao johnny bravo, pegava todas as bonitinhas que aparecia pela frente. Hoje o topete de lugar a uma careca lustrada e como brinde as cervejas, hoje tem uma bela barriga.

Alberto, o Betão, era o valente da turma. Encrenca era com ele mesmo. Desejava ser lutador. Mas a vida mostrou que é preciso ter muito mais força de vontade do que sonho. Hoje é segurança de uma rede de lojas de roupas.

Agnaldo e o Ricardo sonhavam com o glamour de serem Dj´s. Eram o "mão leve" e o "Japa" "Mão leve" era por fazer aquela barulheira (scratch) com uma agilidade de deixar até o ratinho Ligeirinho com inveja. Trabalha como frente de caixa em uma rede de varejo. O Japa voltou as suas raízes e mora no Japão há 20 anos. Dizem que esta muito bem trabalhando na Honda.

Eu? Eu nem imaginava que um dia iria atuar em rádio. Com 14 anos pensei em ser médico. Até branco eu usava com frequência. Isso acabou quando um dia uma senhora me perguntou que centro de macumba eu frequentava. Desisti! Acho que a culpa foi dela por ter destruído meu sonho da medicina. (rs)

Outra vez me imaginei sendo piloto de caça. Ah! Quem não assistiu TOP GUN e ficou imaginando quantas meninas iriam traçar se fosse igual ao Tom? Confessa!

Éramos os donos da rua. Achávamos que éramos os donos do nosso destino e do mundo. Sentíamo-nos imortais. Juntos, choramos as perdas de amigos inesquecíveis como o Serginho. Figura que faz falta em qualquer encontro. Cara de sorriso fácil, amigo de todos e gente boa. O boa “praça”. Morreu ao extrair um dente. Foi triste.

Todos esses garotos se tornaram homens de bem. Tentando a todo custo e de forma correta sobreviver nesse mundo destruidor de sonhos. Nossos rostos mudaram. A suavidade da infância deu lugar a uma pele com rugas, que nada mais são cicatrizes das batalhas enfrentadas e vencidas. A guerra não se ganha nunca. Já que a morte é algo certo para todos. Mas o importante é ser valente, sonhador e crer que o amanhã reserva algo especial para cada um de nós.

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Bora lá?

06/01/2012 às 15:44:40

Bora lá! Tá começando mais um ano novinho em folha. Da aquela sensação de que o tempo voltou e agora temos outras oportunidades de fazer aquilo que ficou faltando no ano passado. Pois é, mas não temos. Li um poema de Carlos Drumont certa vez que fazia uma analogia entre o tempo as jabuticabas numa tigela. Dizia lá que percebendo que havia poucas jabuticabas começou a prová-las lentamente, sabendo escolher cada etapa da vida a desperdiçar tempo e assim evitar perde-lo com bobagens.

 

E é bem aquilo mesmo. No começo de nossas vidas desperdiçamos com coisas tão ínfimas, pequenas, sem valor. Deixamos de usar uma roupa ou um tênis que achávamos bacanas, mas a turma achava “tosco”. Deixamos de falar com aquela garota super gente boa, mas a turma acha estranha. E com isso não nos permitíamos em conhecer, em experimentar.

 

Chorávamos muito o leite derramado. Lamentávamos a perda de coisas que só nos farão crescer. E quando olhamos para trás, vimos que tudo foi tempo perdido... em vão. Então pra esse ano precisamos nos mexer. Eu e você.

 

Não digo só mexer no físico. Na estética. Mas mudar como ser humano. Como pessoa. Conhecer pessoas. Fazer amigos. Sair numa noite sem destino e ver no que da.

 

Sabe do precisamos? Precisamos dar um sentindo a vida. Deixar o saco de mágoas e rancores em algum canto do esquecimento e entrar nesse jogo dinâmico e instável que é viver. Experimente, pule, dance, festeje. Viver é arriscar, jogar tudo pra cima se sentir que vale a pena. E se não valer, valeu ter tentado.

 

É difícil? Ô se é. Mas nada paga o sorriso maroto ao lembrar, já realizado, de tudo que enfrentou pra estar onde desejou estar.

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Que venha mais um ano

02/12/2011 às 09:49:26

Ufa! E se vai mais um ano. Não sei se é impressão minha ou o tempo esta passando muito rapido? Acho que trabalhamos muito e perdemos a noção do tempo. Queremos fazer tudo e tentar descolar uma graninha extra. E justamente ela é que toma nosso tempinho extra. Extra para um cinema, para um passeio ao parque ou até mesmo ficar sem fazer nada jogado no sofá da sala - aliás, faz tempo pra caramba que não faço isso.

Mas deixando as lamentações de lado, o importante foi ter conquistado tantas coisas. E claro, espero que você também tenha conquistado suas prioridades. Ano passado fiz uma lista e relendo hoje, consegui colocar em prática pelo menos 70% dos meus projetos. Deixei de discutir a toa, ampliei a tatuagem no braço, consegui um trabalho a mais, além da Kiss claro, consegui ler dois dos dez livros que estavam me esperando, fiquei mais próximo da familia, mesmo viajando tanto como tenho feito. Sim, viajando. Mas são viagens a trabalho e elas não contam como diversão.

Me dediquei mais ao corpo. Estou treinando mais, mesmo sem tempo. O ruim é levantar as 6h da manhã em dia chuvoso ou meio frio. Mas vale a pena. Me aproximei mais dos amigos que ha tempos não via e ligo mais vezes para minha mãe. Estava em débito com ela. Acho que esse ano consegui pagar um pouquinho da dívida..rs

Como esse será o último post desse ano, quero aproveita e dizer aqui que curti muito, mas muito mesmo estar com você. Sei que não é fácil o seu dia-a-dia. Acredito que de ninguem seja "bolinho". E arrumar um tempo pra ligar o rádio, perder um pouco do tempo pra me ouvir e saber o que penso e o digo, pra mim, não tem como agradecer.

Desejo de coração, que 2012 seja melhor para mim e para você. Que possamos estar aqui no final do ano que vem refletindo como foi o ano que passou e das nossas conquistas. Que possa te encontrar mais realizado ou realizada. Que tenha encontrado um novo amor ou ter "afinado" esse relacionamento que nao ata e nem desata. Que deixou o trabalho tacanho e resolveu dar a cara a tapa e descolar aquele trabalho dos sonhos. Ou simplesmente tomou

coragem e foi conhecer a America do Sul com uma mochila e alguns reais no bolso. Enfim, que eu e você possamos contar as vantagens e desvantagens de viver...simplesmente, viver.

Um otimo ano novo para você. Que 2012 seja simplesmente, MARAVILHOSO.

Juizo! E ano que vem, to por aqui.

Alexandre Gomes

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Liberdade pra dentro da cabeça? Existe?

06/11/2011 às 10:54:53

Adoro os textos do jornalista Ricardo Kotscho. Tive o prazer de entrevista-lo em uma das entregas do prêmio Herzog alguns anos. Sereno e de fala mansa pude conhecer um pouco do ser humano que esta por tras de cada linha que lia em seus textos. Kotscho mantem um blog bem bacana no portal R7 (Balaio do Kotscho). E semana passada ele expos de forma singular o que tentei transmitir aos ouvites Kiss Fm sobre os acontecimentos na USP. Recebi varios e-mails. Muitos apoiando minha postura com relação a atitude egoista de 300 estudantes daquela universidade PÚBLICA onde poucos tem a chance de fazer parte. Mas pela minha infelicidade, recebi alguns e-mails tentando me convencer do contrario. Que onde já se viu um comunicador de uma emissora como essa jogar tanta bobagem no ar, onde já se viu usar o microfone da rádio para espalhar a ignorância e o pré conceito. Pois bem revolucionarios de "meia-tigela" -  para não usar um termo mais ofensivo. Perdi um irmão com 16 anos de idade. O garoto foi morto por um viciado, que queria roubar um par de tênis para trocar por essa porcaria na biqueira. Ele quando preso, confessou que o ínico do caminho torto e triste da vida de usuário começou com um tapinha na erva. Então, não me venham querer empurrar goela abaixo que maconha não faz mal, que maconha é algo natural "bicho". Só quem sente a dor de perder alguem tão querido e com um futuro lindo pela frente sabe do que estou falando. Mas vamos ao que interessa. Achei um texto no blog citado acima que resume o que eu penso. Abaixo segue o mesmo na integra.


As cenas de vandalismo, ocupação de prédios públicos, enfrentamentos com a polícia e o desrespeito à Justiça repetem-se todos os anos, tão previsíveis como o Natal e o Carnaval.

Os motivos podem variar de um ano para outro, mas os personagens desta zorra total são sempre os mesmos: parcelas minoritárias de estudantes, funcionários e professores, que transformaram o campus da Universidade de São Paulo numa terra de ninguém.

Estamos falando de uma comunidade de 200 mil pessoas: 5,5 mil docentes, 15,5 mil funcionários e 80 mil estudantes, além de 100 mil pessoas de fora que frequentam diariamente a Cidade Universitária em busca de suas atividades de lazer, educativas e culturais.

Desta vez, os revoltosos em busca de uma causa protestam, desde o dia 27 de outubro, contra a prisão de três estudantes de Geografia que a Polícia Militar pegou em flagrante fumando maconha.

Como acham que a Cidade Universitária é um território livre, sem lei e sem ter que dar satisfações a ninguém, as hordas radicalizadas ocuparam primeiro o prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, a popular FFLCH, onde estudei na década de 70, quando os estudantes lutavam contra a ditadura militar e enfrentavam a polícia sem capuzes em defesa da democracia.

***

Em assembleia geral na última terça-feira (1º), por 559 votos a 458, a maioria dos estudantes reunidos em assembleia decidiu desocupar o prédio.

Mas a minoria derrotada não se conformou e resolveu invadir o prédio da reitoria, onde cerca de 150 estudantes continuam acampados infernizando a vida de mais de mil funcionários que não podem trabalhar. João Grandino Rodas, o valente reitor da USP, que desapareceu no meio da confusão, despacha agora em local ignorado.

No final da tarde de quinta-feira (3), a juíza Simone Rodrigues Casoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública, deu 24 horas de prazo para que os invasores deixem a reitoria, a partir do momento em que receberem a notificação, o que não tinha acontecido até as 8 h da manhã desta sexta-feira (4).

A liminar da juíza autorizou o uso de força policial para cumprir a reintegração de posse, mas isto não abalou as lideranças encapuzadas: em nova assembleia, na mesma noite, os estudantes decidiram continuar acampados no prédio da Reitoria.

Abrigados em grupos autodenominados Movimento Negação da Negação, Liga Estratégia Revolucionária e Partido da Causa Operária, estes seguidores de Bin Laden infernizam a vida não só de quem trabalha e estuda na USP, mas das cerca de 100 mil pessoas que circulam diariamente pela Cidade Universitária.

***

Morei ao lado da USP por mais de 30 anos e acompanhei a progressiva degradação do campus, que registra um número cada vez maior de assassinatos, roubos e estupros, com a livre circulação de traficantes e o consumo de drogas a céu aberto, uma verdadeira "cracolândia" acadêmica.

O professor Grandino Rodas passa a maior parte do tempo brigando com a direção da Faculdade de Direito, que ocupou antes de ser nomeado reitor no governo de José Serra, e perdeu completamente o controle da situação.

Agora, os estudantes amotinados querem simplesmente a retirada da PM do campus da USP, como se fossem os donos do lugar, que é um patrimônio público custeado com os impostos pagos por todos nós.

Assim como acontece com os crimes de trânsito, o que fortalece os líderes da baderna é o sentimento de impunidade, já que não se tem notícia de qualquer punição após a repetição das cenas de violência que já fazem parte da paisagem da USP, a maior universidade da América Latina.

Nas três ou quatro palestras que fiz este ano na Cidade Universitária, a convite de professores e  alunos, chamou-me a atenção o grau de desinformação e de desinteresse da grande maioria deles, mais preocupados com a falta de vagas nos estacionamentos sempre superlotados.

Até quando estas cenas de velho oeste se repetirão diante da omissão do poder público?

 

(Ricardo Kotscho)

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Diga que os ama

06/10/2011 às 12:05:53

Esses dias senti saudade da minha época de criança. Da inocência. Da dependência dos meus pais. Saudade de levantar cedo e ir para a escola. De chegar a tarde, depois do almoço, me jogar no sofá e passar a tarde assistindo televisão. Nossa, como era bom os filmes da “Sessão da Tarde”. Uns eram do Elvis Presley. Outros eram do Jerry Lewis. Fora o lanchinho da tarde regado a leite com chocolate e bolo assado na hora. Poxa, como era bom. Sei que deve estar pensando que isso é nostalgia. E é. Fiquei pensando nisso quando fui visitar minha mãe. Percebi como ela esta ficando velhinha. Percebi que um dia vou perdê-la e me deu um aperto no coração.

Fico tentando decifrar que tipo de filho agride, xinga, acusa falsamente de violência sexual e em alguns casos, matam os pais. Não entra na minha cabeça isso. Mães e pais têm um lugar muito especial em nossos corações. Também fui um filho “rebelde”. Adolescente é fogo! Tem vergonha de tudo. Inclusive da própria mãe ou do pai. Não é vergonha deles em si, mas, vergonha de ser visto e acharem que ainda é um “bebezão”.

Meu padrasto sempre foi um cara presente. Ama muito minha mãe e sempre foi a figura de “pai” que todo garoto deveria ter em casa. Nunca foi violento. Nem comigo, nem com minha irmã e muito menos com minha mãe. Amo como se fosse o meu pai de sangue.

Eu desobedecia para sair à noite com meus 13 anos. Queria cortar o “cordão umbilical”, achava que estava pronto para o mundo. E hoje, mesmo com 37 anos, percebo que não estava e ainda não estou. E quer sabe? Acho que nunca vou estar pronto. Mas essas figuras, pais e mães, nos dão a sensação que somos invencíveis. Que somos o centro do universo e que elas estarão ali eternamente.

Demorei em me aproximar da minha mãe e demonstrar o afeto como hoje. Demorei por ser teimoso. Por ser ignorante. Por ser individualista. Por não saber valorizar o que ela me deu de mais precioso; a minha vida. Não valorizar que ela passou noites e noites acordada comigo. Amamentando-me, me trocando, me socorrendo com febre. E certo dia me dei conta que nunca tinha dito que amava. Como pode isso? Nunca tinha dito.

Sai do meu quarto e fui até a sala e dei um abraço muito apertado e disse bem claro; “mãe, eu te amo tanto”. Sem saber o motivo ela me abraçou e me deu um beijo com os olhos cheio d´água. Pude perceber que ela também sentia falta de ouvi aquilo.

Toda mãe sabe, ou acha que sabe, que seu filho a ama. Mas mãe também é mulher. E toda mulher gosta de ouvir em tom alto e claro que a ama. Se ainda não fez isso. Faça! Verá o quanto é acalentador uma declaração tão sincera. Então, para todos saberem; “Mãe, te amo muito”.

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Até quando?

19/09/2011 às 11:49:29

Essa semana foi uma coisa surreal. Primeiro, quero agradecer a todos que enviaram emails me parabenizando. Para quem não sabe, completei mais um ano nessa jornada louca que se chama “vida”. E mesmo tendo quase quatro décadas de vida, me achando um grande conhecedor do mundo, percebi que tem muita coisa para eu ver. Vou tentar fazer um resumão do que aconteceu nesses últimos dias.

Na TV a ex-participante da Fazenda, Dani Bolina falou aquilo que muitos já sabiam; a prostituição no meio das “celebridades” ou das “garotas assistentes de palco” de alguns programas de televisão. Até Rita Cadilac revelou que se prostituiu. Nada contra. Alias acho que deveriam legalizar a profissão e assim milhares de mulheres não correriam o risco das esquinas. Deveriam ter carteira assinada com todos os benefícios (plano de saúde, aposentadoria e tudo mais). Chega de falso moralismo.

Outra noticia que me deixou pasmo foi sobre as meninas sumindo ao procurarem emprego. Como assim? É algo inimaginável que possa acontecer, mas aconteceu. Como existem canalhas nesse mundo, não? A garota vai atrás de um trabalho e é raptada, levada para outro estado e só Deus sabe o que o maldito iria fazer com a pobre.

Falando em crime, não tem como deixar de comentar o assassinato de Bianca Ribeiro Consoli. Uma linda jovem de 19 anos que foi morta dentro de casa. Como alguém se acha no direito de tentar violentar alguém e se vendo frustrado por não conseguir o objetivo esgana a menina com requinte de crueldade? Sabe porque? Porque vivemos num país permissível. Onde todas as leis beneficiam o marginal que até outro dia estava armado até os dentes partindo para o “tudo ou nada”, inclusive estuprando jovens dentro de suas casas.

Duvida? Veja a matéria que foi transmitida na Record ontem. O traficante Diego Raimundo da Silva dos Santos dado como perigoso, agora é modelo. Pode? Sabe-se lá quantas vidas ele tirou, quantos quilos de cocaína, maconha e crack ele vendeu. Não que ele não mereça um recomeço. Acho que merece sim. Mas depois de pagar por cada crime cometido. Mas como falei no parágrafo acima, as leis são brandas e benéficas. O Mr. M como é conhecido, cumpriu o período de uma gestação, nove meses, para ganhar as ruas e quem sabe a fama.

Fama essa que a própria mídia vem proporcionando. Outro dia mesmo víamos a imagem dele algemado dentro de uma delegacia e âncoras de jornais sensacionalistas “detonado” o delinqüente. E hoje, tudo pela audiência, convidam para uma sessão de fotos.

E os jovens de bem, que correm atrás de um sonho, uma oportunidade como essa para decolar na carreira? Quantos estão por ai batendo de porta em porta nas agências procurando um lugar ao sol? Esses jovens não merecem uma recompensa por serem do bem? Sempre que um trabalhador vence na vida é mostrado como um coitado, um “João Ninguém” e usam sempre a imagem mais solitária do mesmo. Mas, quando um marginal “sai” do crime, ele é louvado como um herói.

Para finalizar. Alunos da PUC-SP fizeram um movimento pró-maconha. Para tudo que vou descer. Não é possível que esses jovens, estudantes, vistos pelo mundo como formadores de opinião, pensem somente no prazer do “tapinha”. Não percebem que essa atitude financia o trafico, coloca armas nas mãos de outros marginais. Marginais que vão invadir suas casas, assassinar amigos, parentes e até eles nos semáfaros? Para o mundo que quero descer... de verdade.

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Seja Feliz!

28/08/2011 às 16:35:19

Acabei de assistir “Não me abandone jamais”. Que filme! Faz a gente questionar as nossas ações com a vida alheia. Vivemos pensando em como podemos melhorar nosso dia-a-dia, melhorar nossos relacionamentos – tanto profissional quanto pessoal. Seria egoísmo? Eu sou assim também. Vivo minha vida da melhor maneira possível. Trabalho, estudo e me divirto sem pensar muito no que as outras pessoas precisam. Afinal, estou vivo e isso é viver. Acredito fielmente em Deus, mas acho também que depende de nós o destino de cada um.

Esse filme aborda essa questão. Nos mostra como somos pequenos e nossa passagem por aqui é rápida e precisamos viver e viver bem. Mas sem esquecer o próximo. Pensamos sempre no futuro, mas esquecemos de viver o presente. Isso é horrível porque da uma sensação que o tempo passa mais rápido do que realmente passa.

Precisamos aprender a viver a vida cada momento separadamente e sentir todas as emoções e o sentimentos que ele nos permite. Se não fizermos isso, nunca seremos felizes. Para mim, felicidade são momentos. Ninguém vive uma felicidade 24h por dia, 7 dias da semana. Nossa felicidade é por beber aquela água geladinha em um dia de muito calor, de se enfiar embaixo do cobertor numa noite muito fria, de ganhar o primeiro beijo da pessoa que desejamos, de rever alguém que gostamos muito. Enfim, são coisas tão simples e pequenas que nos dá algo tão bom que até aquele sorrisinho no canto da boca fica difícil de esconder.

Sempre me pego pensando no passado ou no futuro. Acho que isso acontece com você também. E como é ruim viver assim não é? O passado nos trás sentimentos de arrependimento ou de vontade de voltar no tempo. O futuro nos trás ansiedade e medo. Medo do que esta por vir ou ansiedade por algo bem legal que pode acontecer – como aquele emprego tão desejado.

Enquanto não aprendermos a viver cada momento separadamente e sentir todas as emoções e sentimentos que ele nos disponibiliza, nunca seremos felizes por completo. O que te desejo... é que seja feliz! Viva o hoje.

 

 

 

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Pare, olhe e... indigna-se

01/08/2011 às 12:28:29

Cerca de 35 mil pessoas morrem nas estradas de todo o país. Só aqui em São Paulo, todos os dias, de segunda a segunda, mês a mês, o trânsito mata em média 4 pessoas e fere com alguma gravidade pelo menos outras 72.

Para se ter uma idéia da "epidemia", acidentes de transito faz mais vítimas fatais que aids, insuficiência cardíaca, miocardiopatias, insuficiência renal, doenças de sangue e tuberculose e é quase idêntica às mortes por doenças do sistema nervoso ou mesmo homicídios. São 2 pedestres, 1 motociclista e 1 condutor/passageiro. Todos os dias.

Boa parte é responsabilidade de motoristas embriagados ou jovens se “divertindo” com os rachas em qualquer canto da cidade. Acredite, os rachas NÃO são privilégios de motoristas de periferias como querem empurrar goela abaixo.

A outra fatia fica para aqueles que sentem-se em um autódromo. Tenho sempre a impressão que vivemos uma eterna competição nas ruas. É um tal de fechar aqui, ali e na imaginação do condutor irresponsável, ele vai ganhar algum premio quando, depois de muita insistência, ele consegue ultrapassar seu veiculo. Se você tem esse comportamento, preciso lhe dizer uma novidade; VOCE NÃO VAI GANHAR P... NENHUMA!

Depois de tantas tragédias envolvendo álcool e direção, nossos inertes parlamentares resolveram agir. Criaram a LEI SECA. Entra em vigor no dia 20 de junho em todo o Brasil, a nova lei nº 11.705, que altera o Código de Transito Brasileiro. Oras, seria a salvação da lavoura. Lei essa que deveria mudar os hábitos de toda a população brasileira. Deveria, mas não muda.

Como todas as leis criadas por aqui, em terras tupiniquins, cumpre quem quer e onde quer. Bafômetro faz quem acha que deve fazer e ninguém obriga. Nem mesmo a lei seca. Conduzido a delegacia mais próxima, o infrator faz o exame no IML se quiser, por que ninguém obriga. Nem o delegado. E a lei, além de lenta e cega, agora também é bem molhada.

Com tantas regalias e benefícios, todos se sentem a vontade de rodar a 150km/h e entrar como um foguete na porta de outro veiculo, assassinando uma jovem advogada. Ou como o deputado federal pelo estado do Paraná, Luiz Fernando Ribas Carli Filho, que embriagado, passou por cima do veiculo que estava em sua frente e decapitou um dos jovens. Filho responde o processo por homicídio doloso. Mas você e eu sabemos que não vai dar absolutamente nada.

Meu objetivo é tentar mostrar que existem Leis ineficazes e ignoradas e estas ajudam apenas a indústria gráfica e os entulhos jurídicos que tramitam aos montes em fóruns e tribunais, como por exemplo, as Leis federais 8.069/1990 e 10.702/2003 que em resumo PROIBEM A VENDA DE CIGARROS E DERIVADOS DO TABACO A MENORES DE 18 ANOS; existe apenas no papel, boa parte da sociedade sabe, mas ninguém é punido por desrespeitá-la, nem os menores fumantes, nem os pais inconseqüentes, muito menos os estabelecimentos que jamais pedem a identificação do possível suspeito de menor idade.

No Brasil existe uma idéia que já passou a ser fato, que algumas leis “pegam” e outras “não pegam”. Existem as famosas leis oportunistas, que ajudam os políticos a aparecerem nos holofotes das televisões e neste caminho tortuoso e arcaico destaca-se as aberrações do passado recente como a obrigatoriedade de uso de kits de primeiros socorros em veículos, lembra?

E a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e capacetes; ambas foram editadas quase na mesma época, mas apenas uma “pegou” e continua em vigência, a que regulamenta os equipamentos obrigatórios de segurança pessoal em veículos. Se você sabe de alguma destas leis que “não pegaram”  escreva no comentário. Vamos ver quantas leis ordinárias e ineficazes nossos parlamentares editam.  

 

 

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