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BLOG: Alexandre Gomes

O zagueiro

16/05/2012 às 17:17:48

 

 

Quem tem menos de 30 anos não vivenciou uma época dominada por uma grande banda nacional e um grande letrista. Renato Russo e a Legião Urbana. Esse cara escreveu letras que são atuais mesmo após décadas. Uma delas é “Que Pais é Esse?”. Lembrei desse som na ultima semana quando o STF decidiu por 7 votos a 3 que é inconstitucional o artigo 44 da Lei de Drogas que proibiu, em qualquer caso, a concessão de liberdade provisória a quem for preso em flagrante portando, guardando ou vendendo drogas, e decidiu deixar a critério do juiz a decretação desse tipo de prisão, com base no Código de Processo Penal.  Resumindo. Trafique à vontade porque não haverá punição. Não é segredo que temos muitos bandidos de toga se passando por juiz.

E por isso será fácil conseguir a liberdade para esses traficantes que destroem famílias. Que tornam pessoas comuns em zumbi como acontece aqui no centro de São Paulo. Mais conhecido como cracolândia. O ministro Gilmar Mendes votou a favor da impunidade. Mas isso não é novidade. Pois foi ele que votou a favor da ignorância, a favor do desrespeito ao leitor quando votou a favor da não obrigatoriedade de diploma para exercer a profissão de jornalista. Mas Mendes não esta sozinho nessa empreitada do banditismo. Outros ministros como Rosa Weber, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Cezar Peluso, Celso de Mello e Ayres Britto seguiram como cordeirinhos e em nenhum momento pensou na sociedade, em proteger a sociedade. Ficaram vencidos os ministros Luiz Fux, Marcio Aurélio e Joaquim Barbosa, que não consideraram inconstitucional a norma legal. Uma pena. Deveríamos ter mais pessoas assim representando a lei do nosso país. Tenho a sensação que estamos em um jogo e o nosso zagueiro, aquele cara que está ali para impedir que o adversário faça o gol, sabe? Pois então, justamente esse cara é que chuta a bola para marcar a favor do crime. O cara que você contava que iria proteger a meta. O cara que você depositou toda confiança e que acreditou que nunca iria contra você. Esse cara é o STF.

Mas engana-se que para por ai. Estamos próximos ao jjulgamento do mensalão. E quem ira julgar? O STF. Aposto com você que não vai dar em absolutamente em nada todo esse processo. Conchavos já foram arquitetados. Promessas de benefícios e cargos acertados. E com isso, todo o trabalho do ministro Joaquim Barbosa vai para o ralo, junto com nosso dinheiro suado que foi usado nessa investigação teatral. Hoje mais do que nunca canto em voz alta e clara;

 

“Na favela

No senado

...sujeira pra todo lado.

Ninguém (absolutamente ninguém) respeita a constituição

Mas todos acreditam no futuro (falido) da nação

 

 

 

 

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Café, almoço e jantar

12/04/2012 às 13:34:02

O brasileiro só tem três problemas: café, almoço e jantar.”  Essa frase genial não é minha. É do Chico Anísio. Mestre do humor e tiradas excepcionais. Essa frase nos resume como brasileiros, assalariados, descamisados e pés no chão. Esse último serve no sentido figurado. Pés no chão por não querer sair daquilo que lhe é seguro. Fincado, inerte, conformado. Reclamamos d-i-a-r-i-a-m-e-n-t-e das coisas erradas que vimos calados.

 Um assalto acontecendo na padaria que você acabou de sair. Poderia ligar para policia e fazer sua parte. Mas não faz. Afinal, não é problema seu. Um seqüestro acontecendo no carro da frente nesse transito frenético. Você poderia seguir e anotar a placa, ligar do celular – mesmo correndo o risco de levar uma multa – para ajudar aquela vitima. Mas você não faz. Não é problema seu. Fila enorme no banco para pagar a conta, atrasado, perdendo hora do almoço e um camarada lá na frente convida o último da fila, amigo dele, para entrar ali, na frente, e você não reclama. Afinal ele esta passando na frente de &*%#$&* pessoas e porque só você iria reclamar?

Esse comportamento, mesquinho, egoísta, quase masoquista, esta levando esse país a um caos interminável. A lei da vantagem que só víamos no futebol, há anos esta valendo no dia-a-dia. É o troco que alguém passa errado e você não devolve. É o cochilar “instantâneo” no metrô/ônibus quando um idoso ou gestante entra. Ficar parado no meio da escada rolante sozinho ou em pares atrapalhando quem está atrasado. É andar com a bicicleta na contra mão da via. É o motoqueiro xingando porque achou que seu carro esta no meio do “corredor” sendo que as faixas de rodagem mal cabem o veiculo. Ouvir o pancadão no celular sem os fones de ouvidos. É o falar alto no cinema e contar piadinhas das cenas que esta passando. Enfim, acho que deu pra entender.

 Isso cansa. São pequenas coisas que demonstra como nós, brasileiros estamos atrasados. Reclamamos de tudo isso no elevador, na escada do condomínio, com os amigos, tudo escondidinho. E não para por ai. A final do programa BBB 12 bateu recorde de votação. Foram mais de 42 milhões de votos computados... e pagos. Mas quando se faz campanha para um abaixo assinado pedindo aumento da maioridade para o menor marginal, male má chega-se a 500 votos e... de graça. Isso quando centenas se juntam nos aeroportos esperando o time para cobrar dos jogadores uma postura de garra dentro de campo. Quando não, saem pelas ruas se gladeando como homens da caverna impondo a lei do mais armado. Mas quando chega a hora de botar pra quebrar, no bom sentido da palavra, fala que isso não é problema seu.

Esconde-se embaixo do véu do compromisso, do ocupado, do sem tempo e assim os políticos desse país vai lhe roubando não só o tempo. Mas o futuro de um lugar melhor. E já que falei de futebol, vi na internet alguns jogadores de futebol do Santos em Brasília.  O clube praiano completou 100 anos. Maravilha e parabéns pra ele. Mas era realmente necessário que nossos parlamentares recebessem Neymar e Cia para homenagem? Quantos projetos e sei lá mais o quê ficou parado esperando votação enquanto esses políticos bajulavam os craques?

Copa do mundo virou questão de honra. Mas não é vergonha ter estampado em diversos jornais pessoas morrendo em filas de hospitais, crianças sem vagas em escolas públicas, soltam-se detentos por tudo que é indulto – pra ver mães que já faleceram, pais que nem conheceram, ver coelhinho na páscoa, papai Noel e tantas e tantas oportunidades de dar liberdade a criminalidade. Enquanto isso se bajula o clube praiano.

E sabe por quê? Acham que para calar o povo basta ter “café, almoço e jantar” como um dia bradou Chico. O que o povo não vê é que muitos estão pulando o café, vendendo o almoço e com o dinheiro comprando a janta. Por que se criou um ditado maldito popular dizendo que “futebol, religião e política não se discutem”. Discutem sim! E muito.

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