Amigos Leais
20/01/2012 às 08:04:42
Começo de ano é o momento que todos fazem suas avaliações. Onde estamos, onde quero chegar e quando vou alcançar o que desejo. Olhamos para o passado. Para alguns é martírio, mas pra mim é algo especial. Vivi momentos memoráveis. Sempre pensoi nos amigos que atravessaram esse momento de formação de caráter e inicio de cirrose.
Foram amigos leais sabia? Caras que ficavam lado a lado em qualquer situação. Um pé na bunda que levávamos das meninas, por exemplo, estávamos todos lá, dando apoio e palavras de incentivo. E ajudando a xingar também.
Sonhos para o futuro eram divididos. O Rogério era o “galãzinho” da turma. Com uma vasta cabeleira e um topete de dar inveja ao johnny bravo, pegava todas as bonitinhas que aparecia pela frente. Hoje o topete de lugar a uma careca lustrada e como brinde as cervejas, hoje tem uma bela barriga.
Alberto, o Betão, era o valente da turma. Encrenca era com ele mesmo. Desejava ser lutador. Mas a vida mostrou que é preciso ter muito mais força de vontade do que sonho. Hoje é segurança de uma rede de lojas de roupas.
Agnaldo e o Ricardo sonhavam com o glamour de serem Dj´s. Eram o "mão leve" e o "Japa" "Mão leve" era por fazer aquela barulheira (scratch) com uma agilidade de deixar até o ratinho Ligeirinho com inveja. Trabalha como frente de caixa em uma rede de varejo. O Japa voltou as suas raízes e mora no Japão há 20 anos. Dizem que esta muito bem trabalhando na Honda.
Eu? Eu nem imaginava que um dia iria atuar em rádio. Com 14 anos pensei em ser médico. Até branco eu usava com frequência. Isso acabou quando um dia uma senhora me perguntou que centro de macumba eu frequentava. Desisti! Acho que a culpa foi dela por ter destruído meu sonho da medicina. (rs)
Outra vez me imaginei sendo piloto de caça. Ah! Quem não assistiu TOP GUN e ficou imaginando quantas meninas iriam traçar se fosse igual ao Tom? Confessa!
Éramos os donos da rua. Achávamos que éramos os donos do nosso destino e do mundo. Sentíamo-nos imortais. Juntos, choramos as perdas de amigos inesquecíveis como o Serginho. Figura que faz falta em qualquer encontro. Cara de sorriso fácil, amigo de todos e gente boa. O boa “praça”. Morreu ao extrair um dente. Foi triste.
Todos esses garotos se tornaram homens de bem. Tentando a todo custo e de forma correta sobreviver nesse mundo destruidor de sonhos. Nossos rostos mudaram. A suavidade da infância deu lugar a uma pele com rugas, que nada mais são cicatrizes das batalhas enfrentadas e vencidas. A guerra não se ganha nunca. Já que a morte é algo certo para todos. Mas o importante é ser valente, sonhador e crer que o amanhã reserva algo especial para cada um de nós.




