Rockfest – Allianz Parque

Rockfest – Scorpions, Whitesnake, Helloween, Europe e Armored Dawn – Allianz Parque, São Paulo – SP

21 de setembro de 2019

Por Otávio Juliano
Fotos por Leandro Anhelli

Logo que as atrações de Heavy Metal e Hard Rock começaram a ser confirmadas para a edição do Rock in Rio deste ano, as especulações sobre quais nomes passariam por São Paulo se iniciaram. Era fácil apostar que algumas das bandas escaladas para o festival no Rio de Janeiro também tocariam por aqui e o novo festival Rockfest tomou forma e foi confirmado, para alegria dos fãs paulistas. O Megadeth era uma das bandas anunciadas, mas devido ao fato de Dave Mustaine ter sido diagnosticado com câncer na garganta, o grupo foi forçado a cancelar todas as apresentações de 2019, incluindo as datas no Brasil. O Helloween então foi confirmado e ocupou o lugar deixado pelo Megadeth.

Shows

Nem começava a escurecer quando a primeira atração da noite subia ao palco, a banda nacional Armored Dawn. Mesmo ainda bastante cedo, o público já começava a lotar o Allianz Parque para acompanhar o Rockfest, afinal a promessa era de mais de sete horas de evento e ninguém queria perder nada. Durante cerca de trinta minutos os responsáveis pela abertura do festival executaram um setlist integralmente baseado no último lançamento da banda, o álbum “Barbarians in Black” (2018), dedicando a canção “Sail Away” ao falecido e saudoso vocalista André Matos. Levantando a bandeira do Heavy Metal brasileiro, o Armored Dawn ainda aproveitou para tocar ao vivo seu recente single “Ragnarok”, faixa que estará no próximo disco e que você ouve na Kiss FM, dando então lugar à próxima atração da noite: os suecos do Europe.

Compositores de uma das músicas mais conhecidas do mundo, o hino “The Final Countdown”, originalmente lançado em 1986, os integrantes do Europe subiram ao palco no final da tarde, abrindo o show com “Walk The Earth”, faixa título do recente disco homônimo da banda. No repertório muitos clássicos e sucessos que outrora fizeram (e fazem) parte da história do Hard Rock mundial dos anos 80, como “Carrie”, “Cherokee”, “Rock The Night” e ainda “Superstitious”, acompanhada por palmas da plateia, que a essa altura já podia ver as luzes do palco começaram a brilhar com a chegada do anoitecer, deixando tudo ainda mais bonito e especial.

Com o céu escuro e sem chuva, era chegada a hora tão esperada por muitos. O Helloween entraria em cena, um dos mais relevantes nomes do chamado Power Metal e que desde 2017 vem promovendo sua “Pumpkins United World Tour”, com o guitarrista Kai Halsen e o vocalista Michael Kiske de volta à banda. Com um placo muito bonito, repleto de luzes coloridas e com abóboras por todos os lados, a banda que conta atualmente com sete integrantes levou os fãs à loucura. Kiske e Andi Deris se alternaram no vocal para cantar canções como “Eagle Fly Free” e “Power”, mas se juntaram nos sucessos “Dr. Stein” e “I Want Out”. Andi afirmou que a banda estava tocando naquela noite pelo Megadeth e por Dave Mustaine, lembrando da razão que levou à inclusão do substituto Helloween no line up do festival.

Depois da agitação geral que já tomava conta do Allianz Parque, era a vez de um dos grandes representantes do Hard Rock das as caras no Rockfest: o Whitesnake, certamente uma das bandas mais aguardadas do sábado. Não era para menos. David Coverdale e sua banda entregaram um show sensacional! Com um setlist repleto de canções consideradas clássicas e ainda uma trinca de composições recém-saídas do álbum “Flesh & Blood” (2019) que se mostraram excelentes ao vivo. “Hey You (You Make Me Rock)”, “Shut Up & Kiss Me” e “Trouble Is Your Middle Name” estavam na “boca do povo” e são a prova de que o Whitesnake segue firme e forte fazendo música de qualidade há mais de 40 anos, mesmo com as mudanças na formação. E não, se você chegou até aqui na expectativa de ver este que vos escreve falar mal da voz do Coverdale, isso não acontecerá. Se todos nós envelhecemos e não somos mais os mesmos de quando jovens, difícil esperar algo diferente de um vocalista próximo dos setenta anos. Independente do atual alcance vocal do David Coverdale, canções como “Slide It In”, “Here I Go Again” e “Is This Love” “falam por si” e o legado do Whitesnake é indiscutível. O vocalista é um dos maiores frontman da música e, ao invés de criticá-lo, prefiro exaltar o fato de ainda poder vê-lo ao vivo, com sua presença de palco inigualável.

Se o Whitesnake tem um currículo de décadas de atividade, a atração seguinte, o Scorpions, não fica nem um pouco atrás. Pelo contrário, com mais de 50 anos de serviços prestados ao Rock, os alemães chegaram ao Rockfest como os mais experientes. Apesar disso e de muitos dos fãs presentes estarem lá pela banda, o show do Scorpions demorou um pouco mais a “engrenar”. Após a reação e fervor iniciais, o público só voltou a acompanhar a banda com mais intensidade nas baladas “Send Me an Angel” e “Wind OF Change” e daí para frente. Com imagens mudando a todo momento nos telões, o Scorpions deixou tudo visualmente muito bonito e até a bandeira do Brasil foi lembrada durante a execução de “Make It Real”. Em “Big City Nights”, o palco se encheu de imagens de cidades e suas luzes coloridas, enquanto o vermelho prevaleceu durante “Still Loving You”. Assim como Tommy Aldridge encantou os fãs em seu solo de bateria durante o show do Whitesnake, Mikkey Dee não ficou nem um pouco atrás, mostrando que era mesmo um sábado para se apreciar dois talentos das baquetas. Mikkey teve sua bateria elevada e viu o público de cima, enquanto “descia a mão” no instrumento, deixando todos boquiabertos. A banda ameaçou encerrar a apresentação, mas tudo não passava da famosa brincadeira do bis, retornando em seguida para mais duas canções, dentre elas a ótima “Rock You Like A Hurricane”, do álbum “Love at First Sting”, de 1984, que fechou o show e, consequentemente, o festival paulista.

Agradecimentos a Denisa Catto e Silvia Herrera (Catto Comunicação) e à Mercury Concerts pela atenção e credenciamento da equipe da rádio.

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Fotos por: Leandro Anhelli

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